DESMISTIFICANDO A UTILIZAÇÃO DE OSSO HUMANO DE BANCO DE OSSOS PARA ENXERTO ÓSSEO INTRA-ORAL

 

Enxerto consiste na transferência de tecido histológico de uma região para outra, mediante perda total de continuidade com a sua área doadora.

 

Atualmente o transplante é feito em situações em que a pessoa sofre alterações de tecido ósseo pós perdas dentárias, câncer bucal ou um trauma provocado por acidentes. A reposição do tecido ósseo visa reconstruir estas deficiências. A reabilitação oral com implantes osseointegráveis em maxilas severamente atrofiadas é, atualmente, um dos maiores desafios para a implantodontia. A falta de osso nos rebordos alveolares é uma das limitações para a reabilitação com implantes, por apresentar um volume ósseo inadequado para a estabilidade inicial. Por isso, os enxertos têm como objetivo fornecer osso suficiente para permitir a inserção dos implantes nos maxilares comprometidos.

 

Nos enxertos autógenos (do mesmo indivíduo) a escolha da área doadora depende do volume ósseo necessário e o tipo de defeito ósseo. Por conseguinte, para pequenas e médias perdas ósseas, recomendam-se as áreas intra-orais, como mento (queixo) e retromolar (posterior de mandíbula). Já para reconstruções maiores, o osso ilíaco, a fíbula, a tíbia, a calota craniana e a costela, são as mais indicadas. Devendo as mesmas, serem criteriosamente escolhidas para cada caso. O melhor material para essa reconstrução ainda é o osso autógeno, considerado o “padrão ouro”. Perde boa parte de sua vitalidade celular, mas revasculariza-se e incorpora-se ao leito receptor, possibilitando a osseintegração de implantes.

 

Visando diminuir essas cirurgias de enxerto extra-orais, principalmente devido à baixa aceitação da mesma por parte do paciente, o uso de osso congelado de Banco de Ossos está ganhando cada vez mais espaço dentro da implantodontia. Principalmente depois da aprovação pelo Ministério da Saúde e ANVISA, por meio da RDC n.º 220 de 27 de Dezembro de 2006, garantindo e regulamentando a utilização do Banco de Tecidos para o cirurgião-dentista. Agora o dentista conta com a possibilidade de oferecer ao seu cliente os benefícios, já comprovados, da enxertia de osso na reabilitação oral, sem a necessidade de submeter o cliente a uma cirurgia extremamente invasiva e de pós-operatório difícil. 

 

Os Bancos de Tecidos Músculo Esqueléticos normalmente utilizam as normas do American Association of Tissue Bank. Doenças como AIDS, hepatite, sífilis, tuberculose, micoses ósseas ou doenças metastáticas, excluíam os doadores potenciais. Assim como também foram excluídos pacientes que apresentavam evidências de doenças sistêmicas ou localizadas nos ossos e tecidos moles, vítimas de morte por envenenamento, grandes queimados, e pacientes que haviam permanecido com respiração assistida por mais de 72 horas, ingerido drogas ou substâncias tóxicas. Os ossos são congelados a 70°C negativos em congelador especial de ultra baixa temperatura equipado com alarme que disparava cada vez que a temperatura sofre alguma variação de mais do que 10 graus. Este congelador fica localizado em área com gerador próprio evitando a falta de energia por tempo prolongado.

 

Todos os ossos ficam armazenados durante pelo menos 6 meses. Durante este período é feito acompanhamento dos outros pacientes que receberam órgãos do mesmo doador, a fim de verificar o desenvolvimento de algum tipo de patologia que não houvesse sido identificada na ocasião da retirada dos órgãos.

 

Exemplos de como as partes ósseas são processados para serem enviadas aos profissionais.

Podendo vir blocos corticais ou cortico 

 

 

Maxila Superior com espessura insuficiente

para à instalação de implante.

Instalação de bloco ósseo e estabilização do

mesmo através de 2 parafusos de enxerto.

 

Instalação de implante após 6 a  8 meses de

recuperação e osseointegração.

Maxila superior com comprimento ósseo

inadequado para instalação de implante.

 

 

Fixação de bloco ósseo através de 2 parafusos

de enxerto.

Mandíbula com espessura óssea insuficiente para

instalação de implante

 

 

 

Enxerto ósseo em bloco para ganho em

espessura para instalação de implante.

Mandíbula com insuficiência de comprimento

ósseo.

 

 

 

 

Fixação de bloco para aumento do comprimento

ósseo.

 

 

 

Sem rejeição - Aceturi, professor da Universidade de Marília que viaja pelo país fazendo conferências e divulgando pesquisas atreladas ao banco de ossos, diz que não há risco de rejeição no enxerto de tecido ósseo. “O osso é o único tecido que o organismo humano não rejeita, porque no seu processamento são removidas todas as substâncias (proteínas) que causam os mecanismos de rejeição”, explica. “Na verdade, é feito o transplante de uma matriz óssea que vai servir de arcabouço e orientação para que o organismo possa incorporar e assim reconstruir o osso perdido o que leva de quatro a seis meses”, menciona.

As complicações, quando surgem, em geral são decorrentes da técnica inadequada ou de descuidos por parte do paciente, que não segue as recomendações no pós operatório.